Falar de improviso
por Marina Rosenfeld
Falar de improviso não significa apenas discorrer sobre um assunto desconhecido, ou ser convidado de surpresa para discursar, como muitos imaginam. É, sim, desenvolver o ra-ciocínio enquanto se expressa -- com ou sem planejamento anterior. Segundo o professor Reinaldo Polito, considerado um dos maiores especialistas brasileiros na arte de falar em público, existem quatro formas de improviso. Na primeira, que ele chama de “esquema mental”, o orador divide a apresentação em partes, para que os pontos sejam lembrados com mais facilidade. A segunda é o “improviso planejado com auxílio de um roteiro escrito”, em que a pessoa escreve uma seqüência de frases, lê e comenta o assunto com o público.
Também há o “improviso planejado com o auxílio do cartão de notas”. Nesse caso, a idéia é escrever uma série de palavras-chave em um pedaço de papel do tamanho da palma da mão. Assim é possível bater os olhos e ficar sabendo se a seqüência está sendo seguida corretamente. “O roteiro escrito dá segurança e liberdade para que o raciocínio seja desenvolvido”, diz Polito. “O apresentador, no entanto, deve deixar claro para o público que está olhando as notas, ou poderá soar artificial.” O quarto e último tipo de improviso, o “inesperado” -- que geralmente acontece durante encontros informais, reuniões ou eventos -- é o que cria mais insegurança, de acordo com Polito.
A seguir, o professor dá algumas dicas de como fazer bonito diante dessas situações delicadas.
Demonstre segurança – Comece a apresentação falando sobre um assunto que você domina. Cite experiências, viagens, cenas de filme, enfim, algo que tenha a ver com o assunto que está sendo desenvolvido. Assim você se sentirá confortável, e mais seguro, diante da platéia. O objetivo é mostrar às pessoas sua familiaridade com o tema em questão.
Previna-se - Tenha sempre em mente pelo menos três assuntos que possam ser usados em qualquer ocasião. Na hora do aperto, escolha o que se encaixa melhor com o momento e a platéia.
Saiba com quem está falando – Por mais que seja difícil saber o perfil do público quando você é chamado para falar de surpresa, o ideal é que conheça pelo menos um pouco sobre aquelas pessoas. Se não, tente fazer uma leitura rápida da platéia e ajustar a apresentação de acordo com o que supostamente irá chamar mais atenção. Afinal, cada grupo tem suas próprias características e expectativas, que precisam ser consideradas.
Seja breve – É fato. Quanto menos você fala, menores as chance de você errar ou cometer gafes.
Relaxe – É natural ficar tenso nos momentos em que você é pego no contrapé. A boa notícia é que, segundo Polito, na maioria das vezes o público nem percebe seu nervosismo. “Não adianta se preocupar muito com planejamento, postura ou conteúdo. Lembre-se de que você está ali para resolver um problema”, diz ele. “Apresentando-se com naturalidade, você irá se sentir mais confiante e certamente sua contribuição será mais eficiente.
Bata um papo com a platéia - O pior erro que os oradores costumam cometer diante de uma situação em que são obrigados a improvisar é mudar de postura e demonstrar muita formalidade. Isso acaba criando constrangimento e fazendo com que a platéia demonstre desinteresse. Polito dá algumas dicas para evitar que isso aconteça. Uma delas é movimentar-se. Outro é certificar-se de que seu semblante, um dos aspectos mais importantes da expressão corporal, está coerente com suas palavras. “Não demonstre seriedade ao falar sobre coisas alegres, por exemplo”, diz.
Seja bem-humorado – Oradores ranzinzas dificilmente conseguem manter a atenção dos ouvintes. Portanto, se o assunto permitir e o ambiente for favorável, use sua presença de espírito para tornar a apresentação mais leve e descontraída. Mas cuidado para não exagerar. “O apresentador que fica o tempo todo fazendo gracinhas pode perder a credibilidade”, afirma o professor.
Fale com emoção – Apresentações bem-sucedidas demandam energia, entusiasmo e emoção. Os ouvintes não demonstrarão interesse pela mensagem se nem mesmo você demonstra envolvimento pelo assunto.
Não confie na memória – Se a ocasião permitir, organize seus pensamentos antes de começar a falar, nem que seja por 15 minutos. Durante esse período, tome nota de algumas palavras-chave. Isso evita que você se perca no meio do caminho e lhe dá mais segurança para continuar. Decorar, no entanto, só dificulta a improvisação.
Fale corretamente – Alguns equívocos gramaticais não chegam, é claro, a arruinar sua apresentação. Erros grosseiros, porém, podem prejudicar sua imagem e a da instituição que você representa. A platéia pode duvidar de sua formação, cultura e, pior, de sua competência.
Não fale sobre o que não sabe - Caso seja chamado para falar sobre algo que não conhece, que você não tem informações a respeito ou que esteja totalmente fora do seu campo de atuação, simplesmente recuse o convite.
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